24/01/20

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São Vendelino | História do Município

 

No dia 06 de fevereiro de 1855, o vice-cônsul francês, conde Paulo Montravel, conseguiu a concessão do Governo Imperial e comprou uma área de 16 léguas, situada no Forromeco Superior. Teria o prazo de cinco anos para colonizá-la. Enfrentando dificuldades financeiras, Montravel instituiu uma empresa colonizadora, juntamente com três sócios, Dr. Israel Soares de Barcelos, Dr. Dionísio de Oliveira Silveiro e João Coelho Barreto. A área de 16 léguas foi denominada de colônia Santa Maria da Soledade e foi dividida entre seus sócios. Cada lote recebeu a denominação de um dos sócios, sendo o distrito Barcelos a atual São Vendelino, o centro da colônia.

Portanto, o município de São Vendelino possui uma história muito mais antiga que muitos outros municípios da encosta do planalto, uma vez que sua ocupação é decorrente do segundo período de colonização alemã no Estado, iniciado a partir da segunda metade do século XIX. Na atualidade, os municípios de São Vendelino e de Barão (Linha General Neto) e uma parte mais ao sul de Carlos Barbosa (Santa Clara, Santa Luíza e Santo Antônio do Forromeco) comporiam a colônia fundada por Montravel.

Os primeiro habitantes de São Vendelino, segundo José Cândido de Campos Netto, em seu livro Montenegro, editado em 1924, são os seguintes nomes: João Felipe Scheid, Antônio Kossmann, Antônio Ludwig, Nicolau Lermann e Nicolau Neis. Registros assinalam que, em 1859, havia 1.240 pessoas, perfazendo um total de 263 famílias estabelecidas na colônia Santa Maria da Soledade. Tinham as seguintes nacionalidades: 904 alemães, 81 brasileiros, 201 holandeses, 40 suíços, 13 belgas e 1 francês. Destes, 622 eram católicos e 618 protestantes. Convém destacar que o plano inicial da empresa era que somente suíços seriam utilizados na colonização da região, o que demonstra que o plano inicial de Montravel acabou não se concretizando. A nova colônia era um mosaico de etnias.

Mas essas terras não eram totalmente desabitadas antes da chegada dos colonos. O território já se encontrava habitado por portugueses, uma vez que aparecem como donos de lotes nomes lusos. Além destes, havia também os índios. Sentindo-se ameaçados devido à invasão de suas terras, os índios cainguangues, ou bugres, como eram chamados pelos alemães, atacavam os lotes, destruindo as plantações, saqueando e matando os colonos.

Um dos relatos mais impressionantes foi o ataque que aconteceu à família de Lamberto Versteg, por volta do ano de 1868. Eram moradores do lote nº 16 do distrito Coelho, à margem direita do Forromeco, uma área bastante acidentada. Na ausência do pai Lamberto, a esposa Valfrida e os filhos Jacó e Lucila foram atacados pelos bugres. Destruída a propriedade, a esposa e os filhos foram sequestrados. De São Vendelino, partiram os alemães em busca dos índios e da família de Lamberto, sem, no entanto, alcançarem o grupo. Apenas Jacó sobreviveu. Decorridos quase dez anos, é que pai e filho se reencontraram.

A falta de estradas para o transporte de mercadorias foi um dos fatores que dificultaram a fixação do imigrante à nova terra, a sua sobrevivência e, principalmente, o desenvolvimento econômico da colônia, uma vez que não pôde ocorrer uma produção em maior escala. Em 1861, as dificuldades começam a ser superadas e São Vendelino se destaca quanto ao seu desenvolvimento. Torna-se a sede da primeira paróquia da região. Estavam estabelecidas 1.387 pessoas, o equivalente a 291 famílias. Na época, a colônia contava com seis armazéns e outros estabelecimentos menores, um moinho em funcionamento e mais outro em construção, um ferreiro, um fabricante de cerveja, um charuteiro, um tecelão, um seleiro, dois marceneiros, três alfaiates, quatro sapateiros, cinco pedreiros, um tanoeiro e um funileiro.

Devido às dificuldades de ordem financeira, no ano de 1873, o governo imperial rescinde o convênio com a empresa colonizadora e a colônia é incorporada ao Império. Em 18 de janeiro de 1877, pelo decreto nº 6480, a colônia Santa Maria da Soledade é emancipada do regime colonial. Nessa época, o distrito Barcellos passa a chamar-se de São Vendelino, devido à forte devoção que os imigrantes alemães católicos tinham ao santo e pelo fato de diversos imigrantes terem vindo da cidade de Sankt  Wendel, no Estado de Saarland, na Alemanha.

Em 1879, São Vendelino deixou de ser freguesia e passou à capela curada de Bom Princípio. No ano de 1883, por ato municipal de Montenegro, é novamente elevada à freguesia e criado o distrito de São Vendelino. Quanto a sua história político-administrativa, ao longo do século XX, temos: 1953: através de consulta plebiscitária os moradores decidem anexar-se a São Sebastião do Caí; 1982: com a criação do município de Bom Princípio, São Vendelino é incluído nesse novo município; 29/04/1988: emancipou-se de Bom Princípio, através de um plebiscito; 16/04/1989: primeira eleição.

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