17/09/19

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Barão | História do Município

 

Emancipado de Salvador do Sul em 1988, Barão situa-se na Encosta Superior do Nordeste, a uma distância de 110 Km da capital do Estado, via RST 470. O seu relevo é montanhoso, muito acidentado, marcado com vales profundos e altos morros, que lhe dão características peculiares, com possibilidade de exploração turística. A paisagem de serra, com as terras recobertas de vegetação nativa e exótica, é um atrativo natural.

A origem de sua denominação conta duas versões. A primeira e mais aceita, segundo pesquisas do padre Rubem Neis, vem do Barão de Holleben, Luiz Henrique Von Holleben, que nasceu em Saxe Mainer, na Alemanha, formou-se em Engenharia na Inglaterra e, vindo ao Brasil, casou-se com Maria da Luz dos Santos, na cidade de Curitiba, no Paraná. Em outubro de 1880, o Barão Von Holleben, como engenheiro, acompanhou o também engenheiro Carvalho Borges a Conde D’Eu, hoje Garibaldi, e a Bento Gonçalves, a fim de dirigir as obras da estrada de ferro entre Montenegro e Bento Gonçalves.

Estabeleceram residência no ponto mais avançado da colonização alemã, entre Salvador do Sul e Carlos Barbosa. Esse local, na época pouco habitado, posteriormente foi denominado Barão para designar o lugar para o qual alguém se dirigia. Dizia-se: “Vou lá no Barão”. Conta-se que o Barão Von Holleben permaneceu no atual município de Barão por dois anos, transferindo-se depois para Porto Alegre, onde, entre 1882 e 1894, trabalhou na linha de bondes Ferro Carril.

A história de Barão iniciou-se com a vinda de famílias de imigrantes alemães e italianos. Posteriormente, ainda no século XIX, em menor número, afluíram para o local, também, imigrantes franceses, suíços e holandeses. Mais recentemente, na metade do século XX, portugueses e bolivianos. Os imigrantes alemães e italianos deixaram profundas raízes, influenciando a cultura do povo de Barão com seus hábitos e costumes, sua culinária e suas crenças e fizeram da agricultura sua fonte de renda para manter-se e sobreviver na terra desconhecida. Sem dúvida, enfrentaram grandes problemas, mas, lutando, conseguiram vencer e legaram ao povo seus valores.

Em 1889, Valentim Diemer, que era juiz de paz, fundou o primeiro cartório de Barão. No começo do século XX, Carlos Selbach e Luiz Calliari exerceram influência marcante na comunidade, sendo este último mestre da capela. Até 1916, as celebrações religiosas eram feitas na residência de João Schmitz, músico, regente de coral e doador do primeiro harmônio para a comunidade católica baronense. As tradicionais práticas de culinária, as músicas, o artesanato são conservados porém não deixando de acompanhar o progresso.

O grupo de danças folclóricas alemãs de Linha Francesa Alta, representando a origem da cultura germânica, e o Centro de Tradições Gaúchas (CTG), a cultura do nosso espaço sul-riograndense, procuram interligar passado e presente. O coral municipal procura preservar as origens étnicas do povo de Barão. Em todas as localidades, existem salões comunitários, onde se realizam os tradicionais bailes de Kerb, tradicional evento da cultura germânica, e as festas, além dos acontecimentos sociais, como casamentos e aniversários, entre outros.

Barão desenvolveu-se a partir da construção e ao lado dos trilhos da via férrea, que ligava Porto Alegre a Caxias do Sul, entre 1906 e 1911, sendo, em 1º de dezembro de 1909, inaugurada a estação de Barão. Para os trabalhos de construção e conservação da ferrovia, abriu-se uma pedreira nas terras de João Baseggio e viúva Itália Dai Prá, fazendo a ligação à pedreira. Na área mais central, perto da estação, funcionava uma cantina e o Armazém de Secos e Molhados Hartmann, com grande sortimento de produtos coloniais, utensílios domésticos, ferramentas, tecidos e gêneros alimentícios, entre outros. As uvas produzidas na região eram transportadas em carroças puxadas por juntas de bois, trazidas pelos próprios produtores em tonéis e cestas.

Com o decorrer dos anos, as condições da ferrovia foram se tornando precárias, pelo relevo bastante acidentado, que dificultava sua manutenção, o que levou a sua desativação, em 10 de junho de 1979. Com o desaparecimento do trem de cargas e de passageiros, surgiu a necessidade de ampliação e de melhoria nos meios de transporte rodoviário. Apareceram, então, mais linhas de ônibus, que, até aí, somente possuía um horário a Porto Alegre e um a Garibaldi. Caminhões e carros particulares apareceram em substituição ao trem. Os carros de bois e cavalos, muito usados antigamente, foram desaparecendo.

No início de sua formação, Barão pertencia ao município de São João de Montenegro, que, em 1º de dezembro de 1914, transferiu a sede do 4º distrito de Badensberg para Barão, elevando-o à categoria de Vila pelo Ato Municipal nº 34. Em 1963, Barão foi elevado a segundo distrito. Foram surgindo ideias emancipacionistas e a primeira tentativa ocorreu em 1982 quando a consulta popular deu vitória ao NÃO, com uma diferença de 700 votos no plebiscito realizado. Cabe salientar que as Prefeituras envolvidas realizaram campanhas contrárias à emancipação.

Todavia, o movimento reiniciou em 1986 e obteve autorização para a realização de novo plebiscito em 1987. Finalmente, em 24 de abril de 1988, realizou-se mais um plebiscito, que deu vitória ao SIM, com 2.900 dos 3.925 votos. Sua emancipação político-administrativa ocorreu em 12 de maio de 1988, pelo Decreto-Lei nº 8365. No mesmo ano, realizaram-se as eleições para a primeira administração do município e o primeiro prefeito foi Valério José Calliari, sendo seu vice Bernardino Scottá.

A economia de Barão tem sua sustentação na agricultura de subsistência em pequenas propriedades, no cultivo e comercialização da acácia negra, na pecuária e na indústria, principalmente, na calçadista. Para atender a demanda na educação, Barão possui cinco escolas municipais e quatro estaduais, o Centro Ocupacional, que trabalha com as crianças que, no contraturno do ensino regular, necessitam de cuidados, em função do trabalho de seus familiares. Conta também com a APAE, que recebe crianças e jovens do município que necessitam de atendimento especial e diferenciado.

O padroeiro do município, São José, é tradicionalmente homenageado no dia 19 de março, com missa solene e festa popular. Barão, apesar de pequeno e estar apenas delineando seus grandes projetos, está buscando sua autoafirmação no desenvolvimento político, social, econômico e cultural de seu povo, com prioridades para a educação, a saúde e a segurança, visando ao bem-estar de todos, pois “Barão é bom lugar para viver”.

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