25/01/20

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Alto Feliz | História do Município

 

Com a criação da Kolonie Feliz, em 1846, deu-se o início da colonização de Alto Feliz, por colonos de origem germânica, no local denominado Batatenberg (Morro das Batatas). As primeiras famílias foram: Friederichs, Schmitz, Schaeffer, Freiberger, Rauber, Finkler, Kaspary, Bohn, Sauer, Dresch, Kloeckner, Brandt, Klauth, Thiel, Flach, Mendel, Hahn, Berwanger, Klein, Scherer, Stein, Saphn, Welchen, Schneider, Bach, Zimmer, Schuren, Biegelmeyer, Beiten, Tosch, Volkmer e outros.

Os primeiros colonos tiveram que lutar muito pela sobrevivência. Enfrentaram ataques dos índios, fome, doenças e dificuldades de toda ordem. Na luta pela vida, adentraram-se nas matas, derrubando árvores e fazendo queimadas, na ânsia de construir suas casas e iniciar as plantações. Essas constaram principalmente de: batata, trigo, feijão, milho, cana-de-açúcar e tabaco, de cujas folhas faziam fumo em rama.

Erguidas as suas casas, logo os colonos se preocuparam em construir a escola e a capela. A primeira capela em Obern Feliz (Feliz Alta), a Schulkapelle, foi erguida em 1849, pois os primeiros assentamentos de enterro no cemitério da capela datam de maio de 1850.

A Capela de Santo Inácio era atendida pelos padres jesuítas, inicialmente a partir de São José do Hortêncio e, após, com residência fixa no local. A pedra fundamental da Capela de Santo Inácio, tal como hoje existe, foi lançada em 26 de junho de 1870 e construída no período de 1871 a 1874. Em 25 de julho de 1877, a capela passou a ser Paróquia de Santo Inácio, autorizada pelo bispo dom Sebastião Laranjeira, assistente do conselho do imperador dom Pedro II.

Era ampla a abrangência da nova paróquia. Suas divisas estendiam-se desde a Serra Geral, encontrando-se com as freguesias de São José do Hortêncio e São Francisco de Paula de Cima da Serra até o rio Caí, ao sul e a oeste o arroio Forromeco, desde a sua foz até encontrar a divisa da Colônia de Soledade (hoje São Vendelino). O primeiro vigário foi o padre Bartolomeu Thiecher, de 1877 a 1882.

A Comunidade Evangélica teve início em torno de 1850, também no Batatenberg (Morro das Batatas). Lá, em 1861, os colonos construíram o prédio que abrigava, ao mesmo tempo, a escola e a igreja e fizeram o seu cemitério. O primeiro pastor foi Ernst Hermann Dobbers, de 1855 a 1871.

Os imigrantes italianos chegaram por volta de 1875, através da velha linha colonial traçada nas matas da Encosta da Serra e que se estendia desde as margens do rio Caí até os contrafortes do Planalto.

Por volta de 1900, foi construída a estrada Júlio de Castilhos, única via de acesso entre Porto Alegre e a região norte do Estado. A povoação, antes localizada no Morro das Batatas, foi se concentrando ao longo da rodovia, assim deslocando o centro econômico-social.

Como consequência, a matriz de Santo Inácio, que teve a planta aprovada em 20 de agosto de 1913, foi transferida do Morro das Batatas para a nova sede, por portaria de 27 de outubro de 1921, sendo inaugurada em 08 de dezembro do mesmo ano. Embora houvesse o reconhecimento da adequação do novo local, a transferência foi traumática, provocando grande descontentamento entre os paroquianos, deixando profundas marcas, que passaram de geração em geração, até chegar aos dias de hoje.

Também a comunidade evangélica transferiu seu templo para o novo núcleo, formado junto à estrada Júlio de Castilhos, inaugurando-o em 12 de novembro de 1922. Com a nova estrada, aumentou muito o movimento. Havia ônibus para toda a região norte do Estado, percorrendo o núcleo central da localidade. O progresso foi chegando, através de casas de comércio, serrarias, marcenarias, olarias, ferrarias, carpintarias, alambiques, funilarias, moinhos, fábricas de queijo e, até mesmo, uma fábrica de cerveja na localidade de São Pedro.

Para explicar a origem do nome Alto Feliz temos que nos remontar à história de Feliz, o município-mãe. Conta-se que, na época do início da colonização alemã no Rio Grande do Sul, o engenheiro português Alfonso Mabilde foi encarregado pelo Império de abrir uma estrada, ligando a freguesia do Linho e Cânhamo (São Leopoldo) à Vacaria dos Pinheirais, passando por essa região.

Quando o grupo de aproximadamente 30 pessoas, entre aos quais topógrafos e mateiros, chegou ao rio das Antas, fizeram uma balsa com troncos de cipó para atravessá-lo. Como o rio estava muito alto e a correnteza muito forte, a balsa não resistiu. Alguns integrantes do grupo se salvaram pela margem esquerda, porém outros foram levados pela correnteza. Tentaram, então, voltar a São Leopoldo.

Exaustos e perseguidos pelos índios, chegaram a um lugar onde hoje se ergue a ponte de Feliz. Sentindo-se aliviados por estarem sãos e salvos, disseram: "Aqui estamos felizes". E, assim, a picada ficou conhecida pelo nome de Feliz. Nessa antiga Kolonie Feliz destacavam-se a Untern Feliz (Feliz Baixa) ou Santa Catarina da Feliz e a Obern Feliz (Feliz Alta) ou Santo Inácio da Feliz. Justificava-se a denominação Feliz Alta, por sua situação geográfica na subida da serra, a 500 metros, em média, acima do nível do mar. Assim, surgiram as denominações: Alta Feliz, Alto da Feliz e, finalmente, Alto Feliz.

O progresso verificado ao tempo da construção da estrada Júlio de Castilhos teve seu ritmo sensivelmente diminuído com a abertura das rodovias BR 116, RS 122 e RS 452, esta última interligando as duas anteriores. Isso deslocou o eixo rodoviário, deixando Alto Feliz praticamente isolado. O êxodo rural se acentuou e a localidade como que hibernou por cerca de vinte anos. No ano de 1989, o asfaltamento do trecho ligando o centro da localidade com o entroncamento da RS 452, veio trazer novas perspectivas.

Assim, a oportunidade que se abriu no Estado para a criação de novos municípios encontrou a comunidade motivada para lutar pela emancipação, que, então, pertencia a Feliz e, anteriormente, a São Sebastião do Caí. Essa aspiração começou a concretizar-se em 10 de março de 1990, com a criação da Comissão Provisória Pró-Emancipação, e em 05 de maio do mesmo ano, quando foi constituída oficialmente a Comissão de Emancipação.

Em 17 de setembro de 1991, a Lei nº 9.308 autorizou a realização do plebiscito, que se concretizou em 10 de novembro de 1991, obtendo resultado favorável à emancipação. Em 27 de fevereiro de 1992, foi aprovado, pela Assembleia Legislativa, o Projeto de Lei nº 521/91, dispondo sobre a criação do município de Alto Feliz. Finalmente, em 20 de março de 1992, foi sancionada pelo governador do Estado, Dr. Alceu Collares, a Lei nº 9623, criando o município de Alto Feliz.

A primeira eleição municipal realizou-se em 03 de outubro de 1992 e a posse dos membros do poderes Executivo e Legislativo deu-se no dia 11 de dezembro do mesmo ano. O município de Alto Feliz foi instalado no dia 1º de janeiro de 1993.

Como município, houve acentuado progresso em todos os setores. Alto Feliz cresceu impulsionado pela fé, pelo trabalho e pela união de sua gente, que, até hoje, preserva a tradição, a cultura, a língua e os costumes dos seus antepassados: os imigrantes alemães e italianos.

Par a par com essa herança, mesclam-se características do povo rio-grandense, sempre em busca de um grande futuro para essa terra, tão cheia de encantos naturais, com seus morros, vales, plátanos centenários e cascatas de águas cristalinas, fazendo jus ao slogan: Alto Feliz – O melhor lugar para viver.

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