25/08/19

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Bom Princípio | História do Município

 

O primeiro nome da localidade teria sido Serraria, isso em 1814. Naquele período, a área de terras pertencia a Luiza Theodora Feijó, porém não existia colonização no período. Era um pedaço de Brasil quase que intacto. Só não é possível dizer que era intocado pelo ser humano, porque os silvícolas, da tribo caingangue, circulavam por essas terras. O início da colonização alemã difere entre os autores mais antigos, sendo apontada por alguns em 1840 e, por outros, em anos posteriores.

No livro Montenegro, escrito por Campos Netto, em 1924, é afirmado que João Guilherme Winter teria adquirido, em 1840, terras em grande quantidade por um valor quase insignificante. Neste período, a colônia era chamada de Wintersohnschneiss, o que, traduzido, seria Picada de Winter Filho. Não sabem os pesquisadores se o pai do colonizador também se chamava Guilherme e, assim, o colonizador seria filho ou se João Guilherme Winter queria prestar uma homenagem a um filho seu. Esse nome durou poucos anos, transformando-se em Winterschneiss, em 1844. Esse modo de chamar a localidade perdura até hoje, especialmente por parte dos descendentes dos imigrantes alemães, que até hoje são a grande maioria em Bom Princípio.

Ainda que popular, o nome Winterschneiss não está em nenhum documento oficial, em que consta apenas Bom Princípio. O nome que ficaria para o município teria sido criado por Phillip Jacob Selbach, por volta de 1853, fazendo, assim, com que a comunidade tivesse um nome em português, que é a língua oficial do Brasil. Phillip, que tinha terras nas proximidades do atual Passo Selbach, deu um aceno de brasilidade com a criação do nome.

Possivelmente, Guilherme foi o primeiro morador alemão de Bom Princípio, pois não há registrado nome de outro morador dessa origem anteriormente. Antes de vir a ser o colonizador de Bom Princípio, Guilherme participou como combatente da Revolução Farroupilha, primeiramente defendendo os imperiais, passando depois para o lado dos farrapos. Em 17 de fevereiro de 1859, era feita a oficialização da área de terras em nome de Guilherme Winter, que teve de assinar documento assumindo uma série de compromissos.

Talvez, nesses documentos, esteja explicado o empreendedorismo, a cultura e a religiosidade marcante em Bom Princípio. Os compromissos assumidos por Guilherme Winter mostravam o rigor do Governo Imperial para com os imigrantes. Ninguém que morasse na colônia de Winter poderia praticar outra religião que não o catolicismo, seguindo as normas nacionais. Assim, se alguém dos colonos viesse a se tornar apóstolo de outra religião e procurasse converter os católicos, deveria ser expulso da colônia, ficando sujeito às leis do país, como perturbador do sossego público.

Nas escolas públicas, não eram admitidos os ensinos em outra língua, sem que os alunos estivessem fluentes na língua portuguesa. A religiosidade católica, ao certo, foi uma das metas alcançadas com grande ênfase por Guilherme Winter e os seus colonos, porém a língua predominante na colônia continuou sendo o alemão. Com o passar dos anos, muito lentamente, a língua portuguesa passou a fazer parte do dia-a-dia da colônia, mas, de forma alguma, até metade do século XX, era o principal idioma utilizado. Até os dias atuais, o alemão ainda é falado por centenas de pessoas em terras bom-principienses.

No contexto empreendedor local, a vinda de profissionais não colonos foi uma boa nova para a colônia de Winter, que prosperou muito rapidamente, isso levando em consideração as condições atuais. Por estar próximo aos cursos d’água, Bom Princípio tinha facilidade de escoamento de safra e de locomoção de pessoas. Era bastante comum a travessia de mercadorias e pessoas acontecer por balsa, no início do século XX, na localidade de Passo Selbach. Também no começo do século XX, viria a surgir em Bom Princípio uma das primeiras olarias do Sul do Brasil.

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