20/01/20

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Padre peregrino da JMJ Rio 2013 fala de sua experiência

Ricardo Nienov foi um dos muitos fiéis, de diferentes nacionalidades, que se reuniu com o papa, na Cidade Maravilhosa

31/07/2013
Padre Ricardo Nienov, de azul, identificado com o símbolo da JMJ 2013 Rio: renovação para o trabalho com os jovens (Foto: Arquivo pessoal)

Padre Ricardo Nienov, de azul, identificado com o símbolo da JMJ 2013 Rio: renovação para o trabalho com os jovens (Foto: Arquivo pessoal)

Natural de Feliz, padre Ricardo Nienov integrou o grande grupo de peregrinos da região que participou da 28º Jornada Mundial da Juventude, que ocorreu de 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro. Filho de Odellar e Fausta Cecília Nienov, Ricardo tem 32 anos e é padre desde 24 de janeiro de 2009. Atualmente, assume as funções de reitor do Seminário São João Maria Vianney e auxiliar na Paróquia Santa Catarina de Feliz.

 

 

Portal Vale do Caí: Qual é a essência e os objetivos do movimento Jornada Mundial da Juventude (JMJ)?

 

Padre Ricardo Nienov: A JMJ tem como fundamento básico provocar um grande encontro da Juventude com Jesus Cristo. Na diversidade, nas culturas e jeitos diferentes, em tantos rostos, encontrar a pessoa de Jesus. O objetivo principal é fazer com que o jovem coloque a pessoa de Jesus como centro de sua vida e história e encontrar Nele o sentido de sua vida.

 

 

Portal Vale do Caí: Como começou e vem acontecendo ao longo dos anos?

 

Padre Ricardo: A JMJ começou em 1984, com o então Papa João Paulo II. Naquele ano, houve um grande encontro dele com os jovens na Praça de São Pedro. O objetivo traçado pelo Papa é o mencionado acima e, desde aquele momento, a jornada acontece todos os anos, por ocasião do Domingo de Ramos, mas isso em nível local. Em nível mundial, acontece em anos separados: dois, três ou quatro. Por exemplo, a última foi em 2011, depois 2013 e a próxima será em 2016.

 

 

Portal Vale do Caí: Por que o Brasil foi escolhido para a 28ª edição do encontro?

 

Padre Ricardo: Não há nenhuma determinação primeira, mas as cidades são escolhidas a partir de uma solicitação que o país, como Igreja, faz ao Papa para receber a JMJ. Portanto, brota de um desejo pessoal em receber esse encontro que faz o Papa optar por determinada cidade.

 

 

Portal Vale do Caí: Você acredita que a JMJ 2013 pode revigorar o catolicismo no Brasil?

 

Padre Ricardo: Com certeza, percebemos, em primeiro lugar, que a Igreja está viva. Reunir uma multidão dessas significa que há muita gente disposta e desejosa desse encontro com Deus. Em segundo lugar, a figura do Papa, com seu carisma, sua simpatia, sua humildade, mas também sua firmeza, permite aos católicos acreditarem numa nova Igreja, capaz de responder aos maiores anseios da humanidade.

 

Acredito sim que um encontro desse nível permita a nós, católicos, acreditarem que podemos ser “sal da terra e luz do mundo” como Igreja, mas, acima de tudo, no encontro e testemunho de Jesus Cristo.

 

 

Portal Vale do Caí: Foi a sua primeira participação numa JMJ? Como se sentiu?

 

Padre Ricardo: Uma experiência única, ímpar, motivadora para outras e, sobretudo, impulso para amar sempre mais a juventude. Me senti muito bem, sentindo arder dentro de mim um desejo cada vez mais profundo de dedicar a vida pela causa juvenil.

 

 

Portal Vale do Caí: O que significa participar de um evento tão grandioso?

 

Padre Ricardo: Primeiramente, um privilégio, por ter tido essa oportunidade. Segundo, um grande desafio, pois sabemos que não é apenas um encontro, mas é um envio para a missão e, além disso, o povo espera muito desses que fazem tal experiência.

 

 

Portal Vale do Caí: Qual o momento que considerou mais emocionante?

 

Padre Ricardo: Olha, é difícil dizer algum momento, pois todo encontro é motivador. Mas, com certeza, a celebração de envio com o Papa fez muitos de nós ficarmos emocionados, pois o envio e a esperança para com a juventude mexem com nossos sentimentos e nossos desejos de trabalhar por essa causa.

 

 

Portal Vale do Caí: Qual sua impressão sobre o papa Francisco?

 

Padre Ricardo: Das melhores possíveis. Um homem simples, despojado, esperançoso e com convicções muito claras. Suas ideias são revolucionárias e tornam capazes sonharmos com uma Igreja diferente.

 

 

Portal Vale do Caí: O que os participantes da JMJ 2013 levam na bagagem para suas comunidades?

 

Padre Ricardo: Acima de tudo, o recado final do Papa: “Ide, sem medo, testemunhar a alegria e a esperança”.

 

 

Portal Vale do Caí: Conte um pouco sobre as viagens (ida e volta) e a estadia no Rio de Janeiro.

 

Padre Ricardo: Bem sabemos que a JMJ sempre é uma experiência de abnegação, renúncia, sem conforto nenhum. No Rio de Janeiro, encontramos um grande desafio na locomoção, fosse de ônibus ou de trem. Ficávamos hospedados a 30km de Copacabana, o que tornava necessário utilizar esses meios de transporte.

 

Portanto, com relação à locomoção, houve bastante transtorno. Mas, ao mesmo tempo, aproveitávamos para conhecer outras pessoas, de outras nacionalidades, o que, na verdade, é muito comum e natural, pois a causa e o encontro nos unem.

 

Com relação à estadia, ficamos hospedados na Paróquia Santa Bárbara e Santa Cecília, no bairro de Vigário Geral. Um bairro muito simples, pobre e reconhecido pela chacina que lá houve anos atrás, na qual foram mortas, numa noite, 21 pessoas. Porém, a acolhida foi simplesmente fantástica. O povo nos recebeu de uma forma muito intensa, acolhedora e carinhosa.

 

Nos sentimos muito em casa naquele bairro, junto ao povo e às famílias. Percebemos que a fé é capaz de derrubar fronteiras, de gostos, costumes, jeitos e culturas. Somos tão diferentes, mas, ao mesmo tempo, tão próximos pela fé em Jesus Cristo.

 

 

Portal Vale do Caí: Teria mais algo que gostaria de comentar?

 

Padre Ricardo: Apenas para concluir: é uma experiência pessoal que não dá para resumir tudo em palavras. Apenas vivenciando que podemos alcançar em sua plenitude tal grandiosidade. Quem tiver a oportunidade de fazer tal encontro não deixe de fazê-lo. Permita-se novos desafios, pois são vivências fundamentais na existência do ser humano.

 

 

Edição: Mery Regina Griebler

Fotos: Arquivo pessoal

 

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