20/01/20

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Psicologia: importante ciência em saúde mental

Psicóloga Gabriela Dresch aprofunda os conhecimentos sobre a atividade

08/11/2013
Gabriela Dresch é psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-comportamental (Foto: Arquivo pessoal)

Gabriela Dresch é psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-comportamental (Foto: Arquivo pessoal)

Gabriela Dresch é psicóloga, CRP 07/16789, formada pela Universidade Feevale, especialista em Terapia Cognitivo-comportamental pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e pós-graduanda em Saúde Mental e Atenção Psicossocial e em Dependência Química, ambas pelas Faculdades Integradas de Taquara (Faccat). É psicoterapeuta de adolescentes e adultos na Clínica Vida Plena em Bom Princípio. Contatos pelo fone 3634-1210.

 

 

Portal Vale do Caí: Como a Psicologia pode ajudar as pessoas? Ainda existe o preconceito de que “psicólogo é para loucos”?

 

Psicóloga Gabriela Dresch: Antigamente, muitas pessoas diziam que “psicólogo é para loucos...”; outros tinham ou ainda tem vergonha e medo. A loucura passou por diversos significados ao decorrer da história.

 

Na Idade Média, o louco era um ser errante, normalmente expulso de sua cidade. Já na Idade Clássica, a loucura herdou o lugar da peste. Os locais onde eram isolados os leprosos foram colocados à disposição dos loucos, porém a concepção de loucura da época era bem diferente da loucura na modernidade. Na Idade Clássica, o louco ainda estava ligado ao sagrado, mas também estava ligado à moral. Na época da grande internação, foram isolados libertinos, portadores de doenças venéreas, criminosos, pessoas com ideias diferentes das vigentes na época. A loucura era “tratada” com punição e castigo.

 

Hoje esse quadro tem mudado muito e a Psicologia tem sido reconhecida como uma ciência importante e significativa nos tratamentos de saúde mental. E pode ser inserida nas mais diferentes situações (hospitalar, educacional, trabalho, clínica, orientação vocacional, entre outras).

 

 

Portal Vale do Caí: O que vem a ser a psicoterapia e o que ela trabalha?

 

Psicóloga Gabriela Dresch: A psicoterapia é um valioso recurso para o crescimento pessoal, em que pode-se abordar várias situações que causam sofrimento e/ou desconforto, tais como: conflitos interpessoais e familiares, baixo rendimento escolar, dificuldades profissionais, transtornos psiquiátricos e de personalidade, dependências, abusos etc. Esse processo é uma oportunidade para compreender, mudar e enfrentar um pensamento e comportamento inadequado, por meio do autoconhecimento, reflexões, escolhas, treinamento e esforço/dedicação. Mas, para fazer terapia, não é necessário um quadro específico ou um diagnóstico definido. Muitas pessoas têm tido resultados surpreendentes no que diz respeito ao autoconhecimento, prevenção, fortalecimento das relações, melhoramento no desempenho acadêmico e profissional e entre várias demandas que a Psicologia acolhe.

 

Há pessoas que acreditam que podem resolver suas dificuldades apenas conversando com amigos e familiares ou utilizando-se de literaturas diversas, como, por exemplo, os livros de autoajuda. É claro que os relacionamentos e as leituras são importantes, mas, em muitos momentos, é necessário o investimento em um processo psicoterapêutico, conduzido por um profissional qualificado. E esse processo não tem tempo determinado; depende do processo de desenvolvimento de cada pessoa. Terapia faz bem... E todos merecem uma vida mais saudável, feliz e equilibrada.

 

 

Portal Vale do Caí: Quando buscar ajuda de um/a psicólogo/a?

 

Psicóloga Gabriela Dresch: Quando, de alguma forma, o indivíduo não está satisfeito com o andamento de sua vida, não está feliz ou está vivendo algum sofrimento e não consegue superá-lo, nesse contexto, um facilitador pode poupar tempo e energia.

 

A Psicologia, com suas técnicas científicas, pode realmente ajudar as pessoas a viverem melhor, pois o objetivo maior é o autoconhecimento. É preciso deixar claro que, quando se procura um profissional, ele não está lá para dar conselhos, julgar, dizer se você está certo ou errado, mas sim para pensar junto e ajudá-lo a chegar na verdade, em quem você realmente é. O importante é procurar um profissional com sensibilidade para entender sua dor e que lhe faça sentir acolhido.

 

 

Portal Vale do Caí: Normalmente, as pessoas vêm voluntariamente ao consultório psicológico ou são encaminhadas por outros (família, escola, médico, etc)?

 

Psicóloga Gabriela Dresch: Algumas vem por encaminhamento, por sugestão de amigos e/ou familiares. Mas o mais importante é vir por livre vontade, por um “dar-se conta” da sua necessidade.

 

 

Portal Vale do Caí: O que levar em conta na hora de escolher o profissional de Psicologia adequado?

 

Psicóloga Gabriela Dresch: O melhor seria marcar uma consulta, para conhecer o profissional, saber como é o método de trabalho, valores,... É importante que o paciente se identifique com a gente. E nem todos vão se identificar... Acontece!

 

 

Portal Vale do Caí: A Psicologia trabalha em conjunto com outras áreas (Medicina, Psiquiatria, Terapias Alternativas, etc)?

 

Psicóloga Gabriela Dresch: Não podem ser associadas ao atendimento em Psicologia concepções místico-religiosas ou recursos que tenham como pressuposto tais tipos de crença, nem sequer a utilização de práticas que possam induzir a crenças religiosas, filosóficas ou de qualquer outra natureza e que sejam alheias ao campo da Psicologia. Em relação à Psiquiatria, o trabalho em conjunto seria o ideal! Mas, infelizmente, alguns psiquiatras não dão o devido valor aos psicólogos, achando que só a medicação já é suficiente.

 

 

Portal Vale do Caí: Qual a definição de doença mental?

 

Psicóloga Gabriela Dresch: O termo doença mental tem, infelizmente, ainda um sentido pejorativo, por ignorância e sentimento de ameaça e vulnerabilidade das pessoas. A imagem e conceito da doença são ainda associados a pessoas violentas, agressivas, incapazes, “tolinhas” ou que só cometem loucuras. Nada de mais errado. A doença mental é, atualmente, extremamente comum.

 

A doença mental não deve ser confundida com a quebra de normas ou funcionamentos sociais, de sentimentos, de crenças ou valores religiosos ou morais que divirjam deste ou daquele grupo, sociedade ou cultura. A doença mental deve ser encarada como algo que funciona mal no nosso cérebro e que provoca a doença, tal como noutras doenças orgânicas ou como resposta a circunstâncias anormais e, neste caso, constitui uma disfunção psicológica. As causas das doenças mentais são múltiplas, diferindo de doente para doente. Todos “podemos” afirmar quem é doente mental, mas não estamos imunes à doença mental.

 

 

Portal Vale do Caí: Como o doente mental deve ser tratado?

 

Psicóloga Gabriela Dresch: Com respeito! As pessoas não adoecem, porque querem ou escolheram ser doentes. Também não melhoram apenas com a vontade e desejo pessoal. A pessoa com doença mental necessita de tratamento como qualquer outra pessoa que sofra de diabetes ou hipertensão arterial, por exemplo.

 

 

Portal Vale do Caí: Você é especialista em Terapia Cognitivo-comportamental. Explique esse tipo de abordagem.

 

Psicóloga Gabriela Dresch: A Psicoterapia Cognitivo-comportamental (TCC) é uma forma de terapia objetiva, calcada em pesquisas científicas, que procura tratar os sintomas de maneira direta e eficaz, com ênfase no presente. Isso não quer dizer que não sejam tratados aspectos emocionais passados, mas sim que, inicialmente, o foco da terapia é o que mais aflige o paciente e, em grande parte, esses problemas são pensamentos, sentimentos e comportamentos que estejam ocorrendo no dia a dia da pessoa. Em muitos casos (como depressão, transtorno do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, entre outros), a pessoa está tão tomada pelo problema que sofre várias alterações no seu dia a dia, necessitando uma intervenção mais rápida e ativa para retornar ao seu equilíbrio anterior.

 

O terapeuta cognitivo-comportamental trabalha em conjunto com o cliente, aplicando e ensinando uma série de técnicas, para que a pessoa possa sentir-se melhor, ao mesmo tempo em que adquire autoconhecimento. Os psicólogos cognitivo-comportamentais realizam periodicamente estudos científicos, para comprovar a eficácia de suas ações. Devido ao índice de sucesso desses estudos e, principalmente, da melhora de muitas pessoas com o tratamento, é cada vez maior o número de profissionais de saúde que indicam pessoas para essa abordagem. Os médicos, cada vez mais, reconhecem a importância da TCC e indicam seus pacientes para esse tipo de tratamento. Existem, inclusive, vários relatos de pessoas que já fizeram outras formas de psicoterapia, mas que, somente com a TCC, conseguiram sucesso em relação às suas dificuldades.

 

 

Portal Vale do Caí: Você está, simultaneamente, se especializando em mais duas pós-graduações: 1. Saúde Mental e Atenção Psicossocial e 2. Dependência Química. O que elas podem acrescentar ao seu trabalho de psicóloga?

 

Psicóloga Gabriela Dresch: O objetivo é somar conhecimento e interagir com outras experiências, qualificando ainda mais meu trabalho. É olhar também para o que as pessoas têm de saudável na vida e de que forma os fatores externos podem contribuir para saúde ou falta dela. O trabalho com dependência química não está nos planos por enquanto, uma vez que é um trabalho que exige uma grande ou maior dedicação. Temos que estar preparados para o sucesso e falta dele. O trabalho não é só com o dependente, mas sim com todos que lhe rodeiam, no caso, a família.

 

 

Edição: Mery Regina Griebler

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