20/01/20

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Hospitais de Montenegro e Caí podem reduzir cirurgias e consultas

Redução de repasses pode prejudicar atendimento

10/06/2015  |  Região  |  Região
Na maior casa de saúde da região, o Hospital Montenegro, os atrasos já superam R$ 2 milhões

Na maior casa de saúde da região, o Hospital Montenegro, os atrasos já superam R$ 2 milhões

A crise financeira do Governo do Estado está afetando também um dos serviços mais importantes para a população. Os cortes nos repasses de recursos aos hospitais podem reduzir o número de cirurgias, consultas e exames que são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E não são apenas os hospitais maiores, como de Montenegro e do Caí, que estão sendo prejudicados. A decisão do Governo, de fechar 3 mil leitos de hospitais de pequeno porte, pode atingir diretamente as demais casas de saúde da região.

 

O Hospital Montenegro (HM), que é o maior da região e atendem 100% SUS, vinha de uma recuperação financeira importante, com uma espetacular melhoria no atendimento. Entretanto, desde novembro do ano passado, o atraso nos repasses já soma cerca de R$ 2 milhões. Só no mês passado o corte foi de R$ 384 mil, o que representa 20% do repasse do Estado. “Estamos muito preocupados. Se continuar diminuindo vamos ter que reduzir cirurgias e consultas especializadas”, lamenta o diretor Carlos Batista da Silveira. Ele informa que 95% dos leitos e 97% da UTI estão ocupados, além da emergência (plantão) sempre lotada. “Ano passado foram mais de 50 mil consultas especializadas, 4 mil cirurgias e 6.761 internações. Na emergência foram 20.540 atendimentos entre janeiro e abril deste ano”, informa Batista. O diretor espera que pelo menos os repasses sejam mantidos nos próximos meses. “Estamos chegando no limite”, alerta, lembrando também projetos já aprovados, como R$ 1 milhão da Consulta Popular para o Centro Obstétrico no quarto andar, R$ 800 mil para reforma da área da saúde mental e R$ 4 milhões para a nova emergência.

 

No Hospital Sagrada Família, de São Sebastião do Caí, onde a média é de 79% dos atendimentos pelo SUS, a situação também é de preocupação. “Estão ocorrendo cortes todos os meses”, lamenta o administrador Johnnie Carlos Locatelli. Ele informa que o atraso no repasse do Estado soma R$ 755 mil, sendo 533 mil reais do ano passado e R$ 222 mil deste ano. Em maio, o corte foi de R$ 73 mil. “Foram cortados os incentivos do custeio e as tabelas estão defasadas. Estamos pensando em reorganizar os atendimentos. Se continuar assim teremos que diminuir cirurgias e exames eletivos agendados”, alerta.

 

O Governo do Estado garante que os repasses aos hospitais em 2015 estão regularizados, alegando que as pendências existentes são de parcelas de 2014, que deixaram de ser pagas pela gestão anterior, devido a um comprometimento acima da capacidade orçamentária. O Governo reconhece a dívida e pretende pagar quando houver condições financeiras.

 

 

Guilherme Baptista - Jornalista

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