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Feliz é oficialmente capital estadual da cerveja artesanal

Projeto de lei foi sancionado em ato solene na semana passada

29/06/2015  |  Feliz
Comitiva felizense com o governador Ivo Sartori e o deputado Boessio (Foto: Divulgação/Prefeitura)

Comitiva felizense com o governador Ivo Sartori e o deputado Boessio (Foto: Divulgação/Prefeitura)

O governador do Estado José Ivo Sartori recebeu, na quinta-feira, 25 de junho, comitiva de Feliz, para ato solene de sanção ao projeto de lei 85/2014. O encontro aconteceu no Palácio Piratini, em Porto Alegre. A lei que declara o município como capital estadual da cerveja artesanal é a 14.697, de 25 de maio de 2015.

 

Segundo o prefeito Albano Kunrath, “a oficialização da cultura é um estímulo ao turismo e aos, aproximadamente, 130 cervejeiros caseiros que futuramente poderão abrir o seu negócio”. O chefe do Executivo completa lembrando que a intenção é que o município possa fazer parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para realizar cursos.

 

O deputado estadual Alvaro Boessio ressaltou o vínculo que a comunidade de Feliz tem com a produção de cerveja artesanal. “Primeiro é pelo forte vínculo que tem a população de Feliz com relação à cerveja caseira e a pedido do Gabriel Assmann e também dos produtores, resolvi apresentar esse projeto”, lembra Boessio.

 

Sartori reconheceu o histórico cervejeiro de Feliz e confidenciou que já consumiu a cerveja felizense. “A comunidade da Feliz já sabe que tem uma história na produção de cerveja, eu sou do tempo da Polka. Dali saiu o Festival do Chopp que cria todas as condições de desenvolvimento. Essa denominação da credibilidade para a Prefeitura Municipal na produção de cervejas artesanais”, reconhece.

 

Além do chefe do Executivo de Feliz e dodeputado Alvaro Boesio, participaram do encontro o secretário da Fazenda Clóvis Freiberger Júnior, o secretário-geral da Gestão Pública Gabriel Assmann, o presidente do Encontro de Cervejarias Artesanais Rafael Auler, o presidente da Cervejaria Altenbrück Fernando Müller, o representante da Socef Humberto Zimmermann e a diretora adjunta do Departamento de Articulação com os Municípios da Secretaria Estadual de Educação Beatriz Assmann.

 

 

Histórico cervejeiro

 

No longínquo ano de 1846, imigrantes alemães recém chegados ao Rio Grande do Sul, plantaram suas raízes no Passo da Boa Esperança, às margens do rio Caí. Oriundos de uma Alemanha essencialmente rural, aqui as famílias multiplicaram-se, prosperaram, ergueram pontes, abriram estradas e, nessa terra, construíram o município de Feliz.

 

Conforme os registros existentes, as famílias Ritter e Ruschel se destacaram na tarefa de manter viva a tradição de produzir cerveja, bebida tradicional na Alemanha, tornando-se os primeiros cervejeiros da região.

 

A família Ritter se instalou na localidade que mais tarde virou Linha Nova. Rapidamente sua produção não era suficiente à demanda das famílias de imigrantes residentes na região. No entanto, devido a dificuldade de conseguir os ingredientes para produzir sua cerveja, mudou-se para Porto Alegre. A mudança facilitou o acesso ao Porto e assim a compra dos ingredientes, como o malte, o lúpulo e a levedura.

 

Mais tarde, a Cervejaria Ritter passou a ser Continental que era, em 1946, o maior grupo cervejeiro do Rio Grande do Sul sendo ampliada e incorporada pela Cervejaria Brahma, com matriz no Rio de Janeiro, transformando-se na maior potência cervejeira nacional.

 

Já a família Ruschel, que ao chegar na região se instalou na área central de Feliz, na margem direita do Rio Caí, deu início a produção cervejeira com o alemão Sebastião Ruschel, que chegou ao Brasil com quatro filhos e aqui teve mais três filhos homens.

 

Filhos esses que foram muito importantes para a história de Feliz. Pois, com o passar dos anos, Sebastião se mudou com os quatro filhos mais velhos para a cidade de Estrela, aumentando sua produção de cerveja. Posteriormente sua fábrica foi comprada pela família Dihel que fundou a conhecida Cerveja Polar.

 

Enquanto o pai dava andamento à cervejaria Ruschel em Estrela, seu filho João Ruschel fortificava a produção de alta fermentação em Feliz. Marcando o ano de 1893 com o início da Cervejaria Ruschel felizense.

 

O gosto pela produção cervejeira na família Ruschel passou de geração a geração. O filho de João, Pedro Ruschel Sobrinho, deu origem a Cerveja Gaúcho, já o neto Victor Ruschel criou a famosa Polka, ambas oriundas da Cervejaria Ruschel.

 

A força da Cerveja Polka foi tamanha que em 1968 aconteceu o primeiro Festival Polka em Feliz, que com o passar dos anos foi ampliando e se transformou no conhecido Festival Nacional do Chopp, que até hoje atrai milhares de pessoas para as dependências da Sociedade Cultural e Esportiva Feliz - SOCEF, anualmente.

 

Os anos foram se passando, os prédios à margem do rio Caí foram aumentando e a Cerveja Polka se tornou a Serramalte, que mais tarde foi adquirida pela Cervejaria Antarctica. Muitas foram as famílias que, por longos anos, tiveram seu sustento vindo da cerveja e que sentiram um vazio em 1997, quando a cervejaria encerrou suas atividades.

 

Feliz viveu um momento eterno de saudade do movimento cervejeiro, que foi retomado em 2007, quando quatro antigos funcionários da Antarctica se uniram e fundaram a cervejaria Eisenbrück, hoje Altenbrück. E além de resgatar a cultura cervejeira também homenagearam a centenária ponte de ferro, que liga a cidade dividida pelo Rio Caí.

 

Esse reinício veio ainda mais forte, pois através de cursos e palestras, fomentados pela administração municipal, diversos jovens felizenses, retomaram a história de Feliz e iniciaram em suas casas a produção da cerveja artesanal.

 

De acordo com os registros, Feliz é a cidade gaúcha com o maior número de cervejeiros per capita. As estimativas indicam que 130 pessoas produzem cerveja em casa na cidade, cerca de 1% da população.

 

Essa realidade foi conquistada pelo estímulo a cultura ampliada em 2011, quando o então Prefeito Cesar Assmann criou o Encontro de Cervejarias Artesanais. Festa que cresce a cada edição, transformando Feliz em uma referência no ramo cervejeiro.

 

Assim foi iniciado o trabalho de reconhecimento da história e cultura presente na comunidade. Com este intuito, o secretário de gestão pública Gabriel Assmann criou o projeto de lei nº 84/2014 e o encaminhou ao deputado Alvaro Boessio, que apresentou na Assembleia Legislativa do Estado, onde foi avaliado, julgado e oficializado o título de capital gaúcha da cerveja artesanal.

 

(Foto: Diego Leonhardt/Prefeitura)

 

Informações: Diego Leonhardt/Assessoria de Comunicação e Publicidade (Prefeitura Municipal de Feliz)

Edição: Mery Regina Griebler

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